Home » 1964 - A Revolução Injustiçada by Gustavo O. Borges
1964 - A Revolução Injustiçada Gustavo O. Borges

1964 - A Revolução Injustiçada

Gustavo O. Borges

Published
ISBN :
Kindle Edition
Enter the sum

 About the Book 

Desde quando transferida a Capital de Salvador, o Rio era o centro político e cultural do Brasil. Aqui se instalaram as sedes das principais organizações da Marinha, do Exército e da FAB. Por isso era aqui onde se concentravam as atividadesMoreDesde quando transferida a Capital de Salvador, o Rio era o centro político e cultural do Brasil. Aqui se instalaram as sedes das principais organizações da Marinha, do Exército e da FAB. Por isso era aqui onde se concentravam as atividades conspiratórias do Partido Comunista Brasileiro (PCB).No fim da década de 60, Juscelino Kubitscheck construiu açodadamente Brasília e para lá mudou a maior parte do Governo Federal. O Rio, de Distrito Federal, passou a ser o novo Estado da Guanabara, cujo primeiro Governador eleito (1960) foi Carlos Lacerda.Jânio Quadros foi eleito Presidente por maioria absoluta, porém era permitida a eleição independente do Vice-Presidente. Disso decorreu a situação esdrúxula da eleição de João Goulart, a antítese de tudo que Jânio pregava. Coisas do Brasil. Renuncia Jânio e assume Jango, após intensas manobras políticas e militares, tentando evitar o que seria desastroso para o País.Mas prevaleceu o espírito legalista das F.A., Jango tomou posse e, como previsto, trouxe com ele toda a esquerda brasileira com cujo apoio pretendia perpetuar-se no Poder, bem como a corrupção do mar de lama de Getúlio. Estava criado o cenário para a terceira tentativa de os comunistas empolgarem o Governo e entregarem o País à tutela de Moscou.O processo fora longo e cheio de incidentes e de acidentes de percurso ou pontos de pré-combustão, como se verá a seguir. Contudo, até atingir o ponto de fulgor em 64, as esquerdas sempre se pautaram por uma incongruência insanável: diziam-se defensoras da democracia, libertadoras dos trabalhadores e nacionalistas, enquanto lutavam pelo predomínio de ínfima minoria, pela escravização total do proletariado e pela subserviência a países estrangeiros (sob o pretexto de que o Marxismo era universal e, quando implantado, não haveria fronteiras).Obviamente, os esquerdistas nunca leram os pensamentos gregos de há dois ou três milênios passados, sobre a lógica, nem o mais recente papa desse setor da filosofia: René Descartes, o genial francês do século XVI.Mas a lógica é essencialmente inata ao espírito humano e só a burrice dos comunistas lhes permitia violentá-la. Daí o repúdio das massas, palavra de efeito invocada a cada passo pelos esquerdistas.Adenauer, o estadista alemão, na década de 60, disse: Deus foi injusto com a espécie humana: criou um limite em nossa inteligência e nenhum limite em nossa burrice.Como se verá a seguir.Não há memória de haver ocorrido aqui, ou em qualquer outro país, um regime de força, consolidado por cerca de 20 anos, que se tenha utilizado do seu próprio arbítrio para se auto-limitar, extinguindo os poderes de exceção, anistiando adversário, assegurando plena liberdade de imprensa. É esse, indubitavelmente, o maior feito da Revolução de 1964.O GLOBO, 07.10.1984